quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tristemente comum

A história de Michael Jackson antes da fama é exatamente igual a de milhões de crianças de todas as cores, credos e posição social em diversas partes do mundo. Ser vítima da violência doméstica, de abusos psicológicos, de padrões moralistas (e não morais) rígidos impostos por quem, geralmente, não tem a menor condição moral de impor o que quer que seja, tudo isso somado à pressão por parte de pais cegos diante da possibilidade do filho ser o pote de ouro no fim do arco-íris (em black & white), aproxima o pequeno Michael dos mortais.

O que o distancia e o destingue dessa maioria, é que em silêncio ele abraçou e protagonizou essa história, cujo roteiro foi escrito por um pai frustrado diante do próprio fracasso como pessoa e artista. Um pai que usou a religião para manipular a família e submeter a todos, e em particular o pequeno Michael, às suas ambições. Jamais perguntou ou se importou com a vontade dos personagens desta história. Tratou logo de destruir a auto-estima de cada um deles, enfraquecendo-os e esvaziando-os de amor próprio. Transformou crianças em trabalhadores militarmente treinados, disciplinados à exaustão, operários de uma arte arquitetada para encher os seus bolsos, bancar suas orgias, empanturrar seu insaciável ego.

Michael Jackson não teve escolha. Não sabia o que era isso, escolha. Liberdade foi uma palavra, um sentimento, um estado de espírito jamais experimentado por ele, o escravo mais rico da história. Michael Jackson nasceu e não pôde ser menino. Virou astro cedo demais. Odiou a si próprio cedo demais. Ficou excêntrico cedo demais. Morreu cedo demais, antes mesmo de viver.

Michael Jackson FC

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Saraiva