terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Teoria da conspiração

Pai de Michael Jackson fala, na Capital, sobre sua relação com o astro ENTREVISTA: Joe Jackson, pai de Michael Jackson

Quando se pensava que tudo já havia sido dito e especulado sobre a morte de Michael Jackson, em 25 de junho do ano passado, Joe Jackson, 82 anos, pai de Michael, lança o livro O que Realmente Aconteceu a Michael Jackson, faz denúncias de conspiração e racismo e culpa a indústria do entretenimento pela morte do filho.

A obra, que já vendeu 1 milhão de cópias nos Estados Unidos, não foi escrita por ele, mas pelo promotor musical Leonard Rowe, 59 anos, com quem trabalhou em 1979, no começo dos Jackson Five. A relação foi retomada anos depois, por causa de Michael.

Rowe foi chamado pelo cantor para ajudá-lo na revisão dos contratos e para tentar diminuir o número de apresentações da turnê This Is It, marcada para julho de 2009. Diz o promotor que o acordo inicial de 10 shows se transformou num compromisso de 50 apresentações um dia depois.

– O contrato era uma arma. Se Michael não cumprisse o programa, poderiam tomar seus bens – disse Rowe.

O cantor não conseguiu cumprir o acordo. Morreu por overdose de anestésicos antes da estreia.

O que Realmente Aconteceu a Michael Jackson, de Leonard Rowe, Mundo Editorial. 336 pág. R$ 43,90


Joe Jackson concedeu a entrevista a seguir em uma das salas do Hotel Majestic, no Centro de Florianópolis, na tarde do último sábado. O atraso de 30 minutos para o início da entrevista foi justificado pelo cansaço. A maratona de divulgação do livro já passou por seis cidades e a Capital foi a última parada. Mesmo sem almoçar, o pai do Rei do Pop não se recusou a responder pergunta alguma. O jeito tranquilo e a voz miúda – é difícil para o interlocutor entender o que ele diz – contrastam com a fama de pai opressor, que submetia os filhos a ensaios exaustivos e surras violentas. Confira a seguir os principais trechos da conversa.


Diário Catarinense – O que o leva a crer que seu filho tenha sido assassinado?

Joe JacksonEu acredito nisso porque ele disse. Duas ou três semanas antes, ele disse que seria morto.
DC – Quem matou Michael Jackson?

Joe JacksonQuem matou Michael? Penso que agora seja a hora de buscar e encontrar a justiça. Precisamos de justiça. Mas tenho certeza de que as pessoas não sabem da conspiração. Eu apenas quero mostrar a verdade. Acredito em uma investigação feroz, envolvendo inclusive o governo dos Estados Unidos. Eu tenho esperança que se dê atenção e se descubra o que realmente aconteceu.

DC – Sua relação com os garotos é um assunto muito comentado. O senhor batia nos seus filhos?

Joe JacksonEu estava sempre perto, sempre junto da família. Nós éramos unidos. Porém, às vezes, crianças fazem alguma coisa errada. E é normal que façam. É até necessário que façam algo errado. Não era apenas com Michael. Todas as crianças precisam ter um rumo. Mas eu nunca fiz nada excessivo, nunca o machuquei nem fiz grandes pressões. Nunca.

DC – Por que o senhor escolheu o Brasil para divulgar o livro logo depois de ser lançado nos EUA?

Joe JacksonO Brasil é o primeiro país que recebe a divulgação do livro porque nós queríamos começar aqui e, só depois, ir a outros lugares. Eu já estive aqui duas vezes, nos anos 1970, conheci três ou quatro cidades. No Brasil há fãs leais.

DC – O que o senhor fará quando terminarem as viagens de divulgação do livro?

Joe JacksonVou voltar para o meu país e arrumar alguma coisa para fazer (risos). Voltarei para os Estados Unidos e pretendo propor ao presidente uma investigação federal para que se possa encontrar a verdade sobre a morte de Michael.

DC – Fale sobre sua relação com Leonard Rowe.

Joe Jackson – Ele trabalhou com os Jackson’s em turnês. Ele é um batalhador, produtor de uma grande quantidade de shows. E este cara não é só um promotor de shows. Ele é íntegro, em um meio em que você tem os “promotores brancos”, os “promotores” e os “promotores negros”. (A cantora) Macy Gray, por exemplo, trabalha com um promotor branco. Paramos de ter promotores negros produzindo grupos. Como isso está acontecendo? Muitos artistas e grupos formados por negros estão trabalhando com managers brancos. Então, os managers brancos fecham as portas das agências para os produtores negros. Temos que parar com isso. Um produtor negro pode trabalhar com qualquer artista ou grupo. Mas isso não está acontecendo nos Estados Unidos. Não é assim que acontece nos Estados Unidos. Isso não pode continuar.
DC – Mas temos na indústria produtores negros como Jay-Z e 50 Cent...

Joe JacksonProdutores? Ah, mas eles não produzem shows. É diferente. Para produzir um show é necessário conhecimento da performance do artista e envolvimento com as agências. Eles não conhecem essa área.

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Saraiva