quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Defesa do médico de Jackson tem tarefa difícil em julgamento

Depoimento de Conrad Murray ainda é incerto. Foto: Reuters

A defesa no julgamento do médico de Michael Jackson vai dominar as atenções na próxima semana, e uma pergunta importante ainda não foi respondida: o Dr. Conrad Murray será chamado para depor?

Após três semanas de depoimentos em vários casos prejudiciais ao médico acusado de homicídio involuntário no caso da morte de Jackson, especialistas dizem que a versão dos fatos apresentada por Murray é repleta de incoerências.

Depor pode ser arriscado, se Murray não explicar com clareza aos jurados por que não tinha equipamentos adequados à mão quando Jackson morreu e por que não revelou o uso feito da droga que acabou levando o cantor à morte.

"Se eu estivesse defendendo Murray, não o colocaria no banco das testemunhas. Acho que ele só iria apanhar", disse o advogado de defesa de Beverly Hills, Mark McBride.

Michael Jackson morreu em 25 de junho de 2009, aos 50 anos de idade, de uma overdose do poderoso anestésico propofol e um coquetel de sedativos.

Os promotores precisam convencer os jurados de que Murray foi tão negligente no atendimento a Jackson que isso levou à morte do cantor, justamente quando ele se preparava para uma série de concertos em Londres. Se for condenado, o médico pode ser sentenciado a até quatro anos de prisão.

Murray admite ter dado a Jackson uma dose pequena de propofol depois de o cantor lhe ter suplicado o anestésico durante uma longa noite insone. Sua defesa diz que subsequentemente Jackson se injetou uma dose extra, fatal, sem que Murray tivesse conhecimento disso. "O problema é que não há prova nenhuma de que Jackson tenha feito isso. Não há impressões digitais. A não ser que a defesa tenha elementos que desconheço, isso não passa de teoria", diz o advogado de defesa criminal de Los Angeles Steve Kron.

Perguntas difíceis

A expectativa é que a defesa de Murray convoque cerca de 22 testemunhas assim que a promotoria encerrar seus argumentos, o que pode acontecer já na segunda-feira.

As testemunhas da defesa devem incluir ex-pacientes do cardiologista, especialistas médicos e talvez o ex-cabeleireiro de Jackson. Provavelmente vão descrever Murray como médico gentil e consciencioso e alegar que Jackson era viciado em propofol e outros medicamentos, sendo um paciente difícil.

Mas Murray enfrenta perguntas difíceis levantadas nas três semanas de ataques impiedosos da promotoria. Para especialistas legais, a defesa terá que esclarecer: por que Murray aparentemente não informou os médicos da ambulância ou do hospital que tinha dado propofol ao cantor; por que, como foi alegado, tentou esconder frascos do anestésico quando os paramédicos chegaram para ajudar Jackson; por quanto tempo Murray ficou fora do quarto de Jackson naquela manhã, e por que estava usando propofol, medicamento normalmente restrito a pacientes que serão submetidos a cirurgias.

Segundo McBride, os depoimentos dados à promotoria, especialmente por dois especialistas médicos que criticaram o atendimento dado por Murray, foram "muito, muito prejudiciais".

"Por mais que eu seja um advogado de defesa renitente, não estou otimista quanto às chances do doutor", disse o advogado.

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Saraiva