quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Meninos de 7 a 15 anos disputam vaga em musical sobre a carreira de Michael Jackson


Isaque "Michael" canta "I'll Be There", "Music In Me" e "I Want You Back" em audição 

Eram cerca de 3h desta terça (23), quando o carioca de 11 anos Isaque Michael, nome artístico que criou em homenagem ao ídolo Michael Jackson, chegou acompanhado da mãe ao terminal da Barra Funda, em São Paulo. “Quando cheguei, olhei para ele, olhei para a rodoviária e pensei: ‘o que eu estou fazendo aqui?’”

Carregando três malas, a mãe Rosangela Rosa fez uma “vaquinha” com os amigos para trazer o filho de ônibus para as audições do musical que apresenta a trajetória do rei do pop. “Thriller Live” tem temporada no Brasil a partir de fevereiro e procura nesta semana um jovem cantor para interpretar o músico no início da carreira com os Jacksons Five. 

Com o cabelo encaracolado até o ombro e um ingênuo e contagiante sorriso, Isaque segura nas pequenas mãos trêmulas folhas amassadas com as letras que imprimiu em sites de tradução. “Gosto mais de dançar, comecei a cantar faz pouco tempo. Mas gosto muito do Michael Jackson”, diz em conversa com o UOL nos bastidores das audições.

A missão de Isaque, e dos outros candidatos, é cantar “I'll Be There”, “Music in Me” e “I Want You Back” para os jurados de música e dança John Maher e Gary Lloyd, responsáveis pela versão inglesa do espetáculo. “Na época dos Jacksons 5, Michael era uma criança, também sem oportunidade de ter aulas de canto. Buscamos esse talento natural, alguém puro e afinado que possamos moldar”, explica Maher. 

Entre os garotos, que têm de 7 a 15 anos e diferentes cores, cabelos, tamanhos e classes sociais, Isaque chama atenção pela sua semelhança física com o astro. Mas os jurados antecipam que não é só isso que estão procurando.

“A cor é o que menos importa, queremos alguém que possa se sentir seguro no palco e que sinta a música. Preferimos um menino branco com uma boa voz do que uma menina para o papel”, diz Lloyd. “Para gente não importa se é negro ou branco”, completa Lloyd, fazendo um trocadilho com “Black Or White”, sucesso de Jackson. 

Quatro dos cerca de 50 inscritos serão escolhidos para se revezar nas apresentações do musical no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, respectivamente. Até as estreias em 2013, as crianças farão preparação vocal, além de aulas de dança e reforço escolar. 

Chega a hora de Isaque enfrentar a bancada dos jurados, que funciona como a de um reality musical, e terá trechos das avaliações exibidos durante o programa “O Melhor do Brasil”, de Rodrigo Faro, em dezembro.

Ainda segurando firmemente suas folhas e um pouco mais seguro após uma rápida aula com o preparador vocal Marconi, Isaque enxuga as lágrimas que ameaçam cair e arrisca começar com “I Want You Back”, hit da Motown, lançado em 1969. Erra a afinação, erra a letra, erra os tempos, mas abre a garganta nas notas agudas com a mesma suavidade de Michael e conquista os jurados com o sorriso. “Sorria mais, se divirta”, diz Maher.

Isaque passa por uma nova etapa nesta quinta, antes de voltar para o Rio. Mãe e filho se ajudam com as malas na saída do prédio na tarde chuvosa paulistana a procura de um almoço e da casa de uma amiga na zona norte, onde descansarão e Isaque treinará para o teste.

"Michael Jackson era único", diz produtor do musical 

O musical tem duas horas e meia de duração e vai dos Jacksons 5 até a última turnê de MJ. Surgiu como ideia em 2006, quando Michael ainda estava vivo e autorizou a produção. A primeira encenação foi realizada em Londres, em 2009, como parte das homenagens pela sua morte em junho do mesmo ano. "Thriller Live" já foi apresentado na Alemanha, Holanda, Escandinávia e agora chega ao Brasil.

Questionados se existe a esperança de encontrar um novo Michael durante as audições da turnê, Lloyd diz que não. "Esperamos encontrar pelo menos o nosso Michael. Achar outro é impossível. Michael Jackson era único."

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Saraiva