quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Testemunha de acusação ataca Murray e critica falta de aparelho

Anestesista criticou falta de relatórios e equipamentos médicos. Foto: Reuters

O julgamento de Conrad Murray, médico de Michael Jackson, foi retomado nesta quarta-feira (19). Antes do depoimento da defesa, Dr. Steven Shafer, anestesista especializado em Propofol, foi a testemunha final da acusação.

Shafer afirmou que Murray não agiu como médico e não teve julgamento profissional ao supostamente atender as vontades do cantor, sem cogitar se elas seriam prejudiciais ou não para seu paciente. "Ele agiu como um empregado, e não exerceu o julgamento médico", afirmou, comparando a atitude a de um "faxineiro".

O médico criticou principalmente a aplicação das injeções e a falta de equipamentos para ressuscitação. Dr. Shafe fez diversas demonstrações sobre o uso de anestesias, e como o Propofol deve ser injetado - por ter uma embalagem mais resistente, fica claro que é mais difícil errar a dosagem.

Em seguida, a acusação exibiu um vídeo sobre segurança em injeções, sobre os equipamentos de segurança que são necessários para emergências, como um laringoscópio. O vídeo mostrou diversos procedimentos médicos, o que deve ser feito para ressuscitar um paciente e, mais uma vez, como o Propofol deve ser injetado.

"A falta de aparelhos de sucção é preocupante", apontou o médico. Ele disse que, com as injeções de Propofol, era necessário ter equipamentos que auxiliam em situações como sufocamento por vômito. A falta de uma bomba de infusão foi vista por Dr. Shafe como crucial para a morte de Michael Jackson.

Sem relatórios

A falta de anotações e um fichamento médico que registrassem o que Dr. Murray fez e medicou nas últimas horas de vida do cantor foi também atacada. "Michael tem o direito de ver o que o médico lhe deu. E, sem relatório médico do que aconteceu, esse direito foi negado. E, mesmo com a morte de Michael, a família tinha esse direito também - e também foi negado", afirmou a testemunha. "Eu sei como me sentiria se meu pai, irmão ou filho morresse e os médicos dissessem, 'não sabemos, não temos relatório'".

O anestesista também afirmou estar no tribunal para tentar melhorar a confiança em médicos. "Todos os dias, pessoas me perguntam se eu vou injetar as droga que deram para Michael Jackson. É um medo diário, e não é necessário", declarou.

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Saraiva